Com certeza todos estamos familiarizados com o fluxo clássico de resolução de incidentes. Alguém — um utilizador, uma ferramenta de monitorização, um cliente irritado — deteta um problema. Outra pessoa abre um ticket. O Nível 1 recebe-o e processa-o.
Como o operador de L1 não tem permissões nos servidores, nem acesso ao código, nem as ferramentas necessárias para diagnosticar a rede nem absolutamente nada, simplesmente lê a descrição, classifica a urgência — por vezes de forma incorreta, porque o utilizador diz sempre que é "crítico" — e passa o ticket ao Nível 2 ou, se alguém o considerar muito grave, ao Nível 3.
O custo real: 15€ vs 2€ por ticket
Manter este modelo hoje em dia é uma negligência financeira.
Custo por ticket através de triagem e escalamento manual humano — ServiceNow
Custo por ticket com resolução guiada por automatização ou autoatendimento
Mas o verdadeiro drama não é o custo do ticket em si, é o congestionamento que gera nas operações e no talento crítico da empresa. O Nível 2 e o Nível 3 — engenheiros de sistemas, programadores sénior, arquitetos — são pessoal de alto custo que deveria ser utilizado para construir, inovar e resolver problemas complexos.
Se o seu L1 apenas atua como passador de papéis, está a inundar o seu talento mais escasso com ruído e falsos alarmes.
A solução: Zero-Touch Automation
A solução não é contratar mais pessoas no L1, mas implementar estratégias de Zero-Touch Automation. O objetivo é que o alerta do sistema ou o ticket do utilizador seja classificado automaticamente por Inteligência Preditiva antes de ser tocado por um humano.
Este tema tem muitas ramificações, sobre as quais poderíamos escrever rios de tinta: precisamos de ter caixas de entrada claras e saber quem as trata, normalizar os alertas para que tenham uma estrutura coerente e definir até onde pode ir a automatização na resolução automática de incidentes. Normalização e procedimentos — é aí que as coisas falham. Gigantes com pés de barro, como se costuma dizer.
Quando o escalamento humano faz realmente sentido
O cérebro humano deve ser reservado para o que importa. O relatório PagerDuty 2026 deixa isso claro: quando um incidente afeta múltiplos sistemas, 43% das empresas exigem coordenação humana obrigatória.
Essa é a verdadeira função do escalamento: alinhar pessoas para resolver problemas complexos, não para atuarem como operadores de central telefónica a passar problemas de uma fila para outra.
O dia a dia de um engenheiro de Nível 3 deveria ser dedicado a resolver falhas de arquitetura complexas, não a reiniciar o serviço de impressão dos recursos humanos porque o L1 não sabia em que categoria da ferramenta colocar o ticket.
Série: Operações TI Sem Fumo
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